Deu nos jornais! – Jornal do Commercio, 29/06/2008

NOVAS GRADUAÇÕES
Curso ajuda empresas a filtrar informações
Publicado em 29.06.2008

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/06/29/not_288151.php

Na sexta reportagem sobre os novos cursos que a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vai implantar no próximo ano, graças ao programa Reuni, do Ministério da Educação (MEC), conheça a graduação em gestão da informação. A principal atuação desse profissional é selecionar, organizar e filtrar informações importantes para empresas, entidades e organizações públicas e privadas. No Brasil, apenas a Universidade Federal do Paraná oferece atualmente o curso. Texto de Margarida Azevedo.

Em tempos de mensagens instantâneas (msn), blogs, orkut, youtube e tantas outras novidades que a internet proporciona, é grande a quantidade de informações que se recebe diariamente. Selecionar as mais importantes, organizá-las, armazená-las e utilizá-las da melhor maneira é tarefa, em empresas públicas e privadas ou outras instituições, do bacharel em gestão da informação. No Brasil, apenas a Universidade Federal do Paraná, que funciona em Curitiba, forma pessoas nessa área. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) será a segunda instituição do País a oferecer a graduação.

Atualmente, é comum cursos de administração terem a gestão da informação como habilitação. Tanto que, segundo o Ministério da Educação (MEC), há 13 faculdades ou universidades credenciadas que colocam no mercado pessoas habilitadas como gestores da informação. Dessas instituições, uma vincula a formação à engenharia de produção, outra à biblioteconomia, dez à administração e apenas a do Paraná forma o bacharel específico na área.

“A demanda de profissionais é grande. Existem grandes investimentos no Estado, como a refinaria de Suape, o pólo de informática, o pólo médico. A tendência é que Pernambuco se desenvolva cada vez mais. O currículo do nosso curso foi pensado levando em consideração essa realidade”, destaca o coordenador da graduação na UFPE, Fábio Mascarenhas.

O curso terá 30 vagas por semestre e estará vinculado ao Departamento de Ciência da Informação, o mesmo que abriga biblioteconomia. Poderá ser concluído em quatro anos. As aulas acontecerão à noite, no Centro de Artes e Comunicação (CAC). Este ano serão contratados cinco professores. Até 2010 devem chegar mais cinco. O curso vai dispor de um laboratório de informática e de dois laboratórios de pesquisa.

Além de atuar em empresas, o gestor poderá trabalhar em indústrias, instituições educacionais, editoras, agências de comunicação, organizações não-governamentais e associações. “É um profissional que atua como intermediário, filtrando as informações e repassando-as para os setores específicos. Personaliza o conhecimento, direcionando-o. Com a velocidade das informações, muitos profissionais não conseguem acompanhar as novidades e precisam de outro profissional que dê suporte, que filtre o mais importante”, observa Fábio Mascarenhas. Também cabe ao bacharel desenvolver novos produtos, como softwares.

Uma vinícola que pretende se instalar no Estado, por exemplo, precisa saber como está o mercado, em que regiões as terras são mais férteis, se há mão-de-obra qualificada. Cabe ao gestor de informação preparar um dossiê com esses itens para a vinícola.

Para se candidatar à graduação, o jovem deve ser curioso e investigativo. Gostar de ler e pesquisar são requisitos fundamentais. “Saber inglês também é importante, pois 90% do que se produz na internet é em língua inglesa”, destaca o coordenador do curso da UFPE.

Habituada a coletar informações, a bibliotecária do departamento regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Sônia Pádua considera importante a implantação do novo curso na federal. “A busca por informações especializadas é crescente. Trabalho em uma biblioteca direcionada para empresas e indústrias. Com o novo curso, as pessoas que saírem da faculdade terão uma formação mais dirigida para a gestão do conhecimento”, comenta Sônia Pádua.

Atualização constante é exigência da profissão

Antes de decidir pelo vestibular para gestão da informação na Universidade Federal do Paraná, Karin Klinczak, 28 anos, pensava em estudar administração. Como gostava também de tecnologia, descobriu no curso a possibilidade de unir as duas áreas de interesse. Recém-formada e satisfeita com a carreira que escolheu, ela está trabalhando numa empresa de tecnologia e informação de Curitiba.“A profissão é muito abrangente porque informação existe em qualquer área e cresce a cada minuto. Podemos atuar em várias empresas, de marketing, de saúde, por exemplo”, conta Karin. “Estagiei durante dois anos e quando me formei não tive dificuldade para conseguir emprego”, afirma a paranaense.

No dia-a-dia, uma de suas tarefas é fazer o gerenciamento eletrônico dos documentos da empresa. “Definimos onde vão ser guardados os documentos, se de maneira eletrônica ou de forma física. Também o que vai entrar no software”, explica Karin.

O jovem que escolher o curso de gestão da informação deve, na opinião dela, apreciar novas tecnologias, saber trabalhar em equipe e dominar o inglês. “Tem que gostar de documentos. Estar alinhado com as novas tecnologias é também fundamental”, destaca Karin. “Como a maioria da literatura sobre gestão é em inglês, saber a língua é importante para manter-se atualizado”, diz.

Com o mercado em expansão, um recém-formado deve receber em média R$ 1.200, segundo o coordenador do curso de gestão da informação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fábio Mascarenhas. O curso da Federal do Paraná serviu como parâmetro para o currículo da graduação em Pernambuco.

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